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A Mentira


A mentira é um vício.
A mentira está em todos nós, presente em todas as pessoas.

Claro que na maioria das vezes temos uma certa raiva e desgosto dos mentirosos que nos rodeiam, principalmente àqueles que não encontramos motivos necessários para mentir.

Mas é preciso analisar os sentimentos, pensamentos e propósitos que acompanham as atitudes desses mentirosos.

O mentiroso falseia a realidade como mecanismo de conveniência própria e convivência social, muitas vezes para se sentir bem no ambiente em que vive ou em um ambiente estranho e tirar proveito da situação.

A psiquiatria não considera a mentira o oposto da verdade, e, sim 'relacionada à intenção de enganar e ao dolo ou prejuízo que causa a outra pessoa'.

Para os mais estudiosos, a intenção é que define a mentira, estabelece o peso do dano ou dolo. Se sua intenção for boa e para o bem do outro, claro que a mentira em si, tem outro caráter de análise. Mas continua sendo uma mentira. Como diria Friedrich Nietzsche: " - Há uma inocência na (boa) mentira que é o sinal da boa fé numa causa". Esta é a mentira positiva.

A este caso, entramos na análise da representação (sua percepção do mundo), apercepção (sua percepção do mundo através do fisiologismo neuro-sensorial, psíquica, através dos seus cinco sentidos) e procepção (pessoa que ultrapassa o verídico e o cultural e desenvolve a própria visão do mundo) da realidade. Ou seja, aquelas pessoas que justificam sempre que cada um tem a sua verdade e ótica, visão do mundo, e portanto, sua mentira é uma verdade.

Por outro lado, a psiquiatria nos revela que não mente quem acredita naquilo que fala. Essas pessoas não podem estar mentindo se de fato acreditam no que dizem. São pessoas que têm uma representação da realidade deturpada e acreditam que seja a correta e verdadeira. Geralmente, essas pessoas buscam nada mais do que encontrar alguma segurança na mentira, muitas vezes movidas pela insegurança de serem aceitas tal como são. Outras, por baixa auto-estima. Em outros casos, ainda, movidas pela paixão a alguém ou a um objetivo. Sempre, nesses casos, 'a força da paixão turva a avaliação do objeto amado' e a visão correta da realidade.

O grande filósofo e santo católico, Santo Agostinho nos apresenta um pensamento célebre: " - Quem enuncia um fato que lhe parece digno de crença ou acerca do qual forma opinião de que é verdadeiro, não mente, mesmo que o fato seja falso".

Mas o mesmo Santo Agostinho nos revela que, ainda assim, "não há mentira, sem intenção, desejo ou vontade de enganar".

E novamente caímos no propósito (intenção) de enganar do mentiroso.

Ter consciência de sua falsidade, fazer o outro crer naquilo que é dito, afirmando como uma verdade (...), isso faz deste tipo de mentiroso, perigoso. É desse tipo que devemos nos afastar, que devemos evitar ter contato com sua energia.

Claro que, estou excluindo aqui os mentirosos por interesse. Aqueles que caluniam, difamam, ameaçam.... Estou falando daquele mentiroso que 'a farsa cresce em progressão geométrica' sem psicopatia (doenças graves), sem controle, que cria versões sobre a própria mentira. Esta é a mentira negativa, a que prejudica a si mesmo e ao outro.

Existem sim, mentiras por razões patológicas, incontroladas, determinadas por uma personalidade problemática e outras produzidas por neuroses histriônicas, como é a "Síndrome de Münchhausen" e a "Síndrome de Ganser". Não é este o objetivo deste pensamento do dia.

O objetivo aqui, é, devemos nos afastar do mentiroso negativo, pois sua energia é contagiante negativamente.

De qualquer forma, não temos como julgar e/ou condenar ninguém. Pois de uma forma ou de outra, todos nós, fomos mentirosos em alguma vez em alguma situação na vida.



"Nós vemos, ouvimos, apalpamos e cheiramos o mundo, e assim temos consciência do mundo." (Carl Gustav Jung)




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