A Minha Mãe!
Bem longe, onde estejas
sei que errei, mãe.
Errei porque não sou já
aquele menino que ouvia
o silêncio de tuas palavras.
Sei que não entendes
meu erro, meus defeitos,
este sorriso imperfeito.
Sei que não entendes
minhas palavras,
o que elas dizem
ou calam.
Mas é apenas porque não sabes
que há noites que guardam o frio
e sonhos que se acabam ao rumor do sol;
é por isso apenas que
talvez não entendas, mãe,
a tristeza de meu olhar
e não acredites mais
em meu amor por ti.
Não deixei de te amar.
Somente perdi
lá nos cantos da memória
aquela flor que brotava de tuas mãos
- apenas por isso
é que sou triste
como as violetas brancas
de fim de outono.
Se ainda me ofertasses essas flores
e tuas mãos
talvez eu pudesse dormir
e as noites não fossem
essas horas de pesadelos.
Haveria consolo
para o desespero.
Tu também não te lembras, mãe,
de meu olhar infantil,
esqueces,
que minhas mãos agora são mais fortes
e meu coração,
meu coração, como o teu,
quase parou!
Acorda – desejas me ver?
Pois ainda estou em teu colo
livre da solidão;
ainda trago no peito
as flores de tuas mãos,
ainda te vejo cantar
“hoje eu quero a rosa
mais linda que houver”.
Sei que lá no fundo,
onde quer que estejas,
tu entendes
que o dia é sempre claro
e meus olhos já não me pertencem.
Minhas mãos cresceram como galhos;
nelas, pássaros vieram pousar.
Te guardo sempre, mãe.
Tenho teu corpo dentro de mim.
E te oferto minhas palavras.
Adeus. Eu sou como os pássaros.
Poema escrito por meu querido irmão, poeta, jornalista e médico, Ivan Miziara.