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· 16º Capítulo ·

Todos trocaram olhares pesarosos.
Aquela que viria a ser minha avó, sussurrou no ouvido do noivo, seu filho:

- Meu filho ! Talvez fosse melhor cancelar o casamento... você não vai começar sua vida, que tem um futuro brilhante pela frente, com uma inválida, vai ?

Mas o noivo não hesitou e afirmou que iria se casar com ela da mesma forma.
Adiaram a data do casamento.

O tempo passou e minha mãe começou o seu trabalho por meio de exercícios, a fisioterapia, que hoje de forma muito simples, atua com vários tipos de doenças, mas na época, era um tratamento precário e lento, um processo quase que alternativo.

Sua fé em São Lázaro e a sua dedicação consigo mesma, fizeram milagres.

Estamos em 1953.

Após quase seis anos de tratamento, do uso de cadeira de rodas, muitas injeções e aplicações, minha mãe aos 24 anos começou a andar novamente. Mesmo com uma leve acentuação, pouco perceptível ao andar, já pisava no chão como antes e não mais sentia dores.

Seu pai, meu avô, se surpreendia com a força e coragem da própria filha.
Seu noivo, que acompanhou e a apoiou naqueles anos à fio, recebeu pela primeira vez, um elogio do sogro, que se surpreendera com a atitude do rapaz.

Minha mãe estava encantada com a descoberta de algo tão simples e banal na vida das pessoas, mas que ao perdermos, percebemos o quanto é importante: o andar, o pisar no chão, estar sobre suas próprias pernas e por si mesmo, analogamente.

Depois dessa experiência, ela viria a repetir para todos em sua vida futura que: " - ... prefiro morrer cedo, a depender das pessoas em minha velhice..."




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