· 15º Capítulo ·
Chegou o dia da formatura...
Meu avô e aquela que viria a ser minha avó, se conheceram. Olhares gélidos de ambas as partes,
sentimentos avessos foram trocados naqueles rápidos segundos de apresentação.
Meu avô sentiu algo oculto no caráter ou na índole daquelas pessoas mas não sabia explicar ou
definir. Contrariamente à sua primeira impressão e intuição, tratou a todos muito bem e
não disse nada à filha.
O médico se formou com glórias e a comemoração seria marcar a data de casamento com rapidez
para que pudesse voltar ao interior de seu Estado e começar a clinicar.
Marcaram a data. Em seis meses estariam casados e em seguida viajariam para a outra cidade.
Minha mãe teria o tempo suficiente para concluir o magistério e no interior poderia se
dedicar aos estudos da advocacia. Mas o destino novamente não quis esse desfecho.
Um dia, no trabalho, sua perna direita começou a atrofiar, debilitando o seu calcanhar e
impedindo que tocasse ao chão naturalmente. À cada movimento ou tentativa de andar, uma
dor indescritível, invadia seu corpo e seus ossos. Era como se sua perna estivesse
definhando-se.
Seu chefe chamou a ambulância e levaram-na a um hospital próximo.
Após vários exames, os médicos concluíram o diagnóstico como "artrite", uma doença nas
articulações com deformações nos membros seguido de reumatismo avançado e em estágio
de cuidado especial.
- Não era possível -, pensava. Estava tudo muito feliz para ser verdade.
Seu noivo e sua família foram chamados para o diagnóstico final: seria mais coerente e
adequado que a moça optasse pela aposentadoria por invalidez. Existia a chance de que
voltasse a andar normalmente e a chance que não. Eram iguais e em mesma proporção. Mas
não poderiam dizer nada além disso.