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· 11º Capítulo ·

Coisas do destino ou não ? Nunca iremos saber.
Uns parecem ter um karma mais acentuado; outros mais brandos. Por quê ?! Só os deuses sabem !

Mas o mar límpido e plano que se mostrava à nossa frente, de repente começou a se modificar. Talvez, minhas lembranças estivessem acompanhando o tempo ou vice-e-versa. Talvez, minhas lembranças doces, porém amargas, estivessem refletindo nas águas, que agora, se tornavam bravias.

O estrangeiro começou novamente a correr pelo convés. Parecia prever algo maior que o meu desconhecimento de navegação, não me permitia compartilhar de sua agonia.

Ele me olhava estranhamente como que me dizendo: " - Oras ! Não está a perceber a tempestade que se aproxima ?!" Mas além de não poder lhe responder na mesma língua, eu nada entendia de barcos e velas.

Resolvi lhe obedecer e me amarrei às argolas no piso do convés e aguardei a tempestade.

Mas minha mãe estava presente em todas as imagens que olhava: o mar que se lavantava, as ondas espumantes lembrando a beira da praia, o céu negro e nuvens de chumbo. Essa sensação de prazer, agonia e êxtase sempre me acompanhou.

Muitos me diziam: " - Como alguém pode gostar de dias negros ?!" -, e eu nada respondia. Mas a satisfação inteiror daqueles dias em que os deuses descarregam a ira no céu, me fazia bem.

Lembro-me bem, quando na infância, todos gostavam de ir a praia sob o sol escaldante. Eu ia feliz. Mas radiante só ficava quando chovia. Os pingos nas águas do mar. O céu infinito negro, sem fim, sem visão, a neblina impedindo de ver além, como se as brumas fechassem a visão do futuro.

Ah ! Ninguém me entendia. Mas naqueles simples momentos, eu era feliz.




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