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· 7º Capítulo ·

Minha mãe veio correndo em seu socorro, mas não parecia ser nada grave. Encontrou a mãe encostada no tanque olhando para a água com os olhos arregalados.

" - O que foi, mãe ?!"
" - Minha filha... maus tempos virão !"
" - Por quê, minha mãe ?!"
" - Porque vou ter que partir... chegou a minha hora... você vai ter que ser forte e cuidar de seu pai e de seu irmão..."

Me lembro que todas as vezes que minha mãe contava essa história, nunca conseguia chegar ao fim sem estar se debulhando em lágrimas...

" -... eles irão precisar muito de você..." -, a mãe continuava.
" - Mas a senhora vai ficar doente ? O que vai acontecer ?"

" - ... lembre-se minha filha, que sempre estarei com você, a seu lado... sempre... você jamais estará só..."

Minha mãe... uma menina de 14 anos, despreparada para a vida, começava a se desesperar, enquanto presenciava sua mãe, predizer sua própria morte.

Às vezes, fico pensando se alguém precisa passar por isso na vida para se tornar forte... até onde a necessidade de tanta exposição de sentimentos é benéfico ou não...

A mãe de minha mãe continuava:
" - Mesmo quando for muito mais velha, lembre-se de minha palavras... você jamais estará só..."
" - Mas como eu vou cuidar de meu pai, de meu irmão ? Não sei nem cuidar de mim..."

A mãe correu para dentro da casa e trancou-se no quarto até ao anoitecer.
Minha mãe em desespero só fazia chorar.

Quando o seu pai chegou à noite, encontrou a filha chorando e a esposa no quarto. Perguntou sobre o ocorrido e foi discutir com a mulher, pois tinha assustado à menina.

A mãe de minha mãe não disse nada.
Nos dias porvir nunca tocou no assunto.

Eis que um dia acordou com febre. Febre forte. Intensa. Febre amarela. Foi internada às pressas quarenta e nove dias após a sua profecia.




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