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· 6º Capítulo ·

Durante anos ouvi minha mãe dizer que, "ainda bem que no último minuto de vida, eles se reconciliaram... se não, o tormento teria sido maior."

Será ? Sempre pensei nisso...
Mas o que parecia que seria um prenúncio de infortúnio, não o foi. Tristeza, sim; pobreza, não.
Se por um lado as coisas começaram "estranhamente" a melhorar financeiramente, por outro, começaram a ocorrer estranhos e inexplicáveis fatos.

A mãe de minha mãe começou a ter o que hoje chama-se comumente de "visão".
Qualquer copo transparente com água era o suficiente para que ela viesse a predizer o futuro.

Fantasias. Quimeras. O que quer que fosse, todas se concretizavam.
Fosse na água do tanque para lavar a roupa, na água para limpar os pratos... ela sempre era "avisada" do que viria a seguir e em breve.

A falta da alegria que o "filho" deixou na casa, aos poucos foi sendo substituída pelo conforto espiritual. Talvez, essa lógica nunca tenha lhes passado pela cabeça na época. Porém, a "troca" de sentimentos inverteu a posição espiritual que rondava o ambiente.

Mas o que está escrito para uns com destino certeiro, parece estar e nada adianta fazer para mudar. Parece simples e talvez conflituoso perceber esses fatos tão distantes de nossas atitudes ou intervenções, mas a probabilidade de alteração do curso, para uns, parece impossível e quase inatingível.

Veio a febre amarela. Outra epidemia que avassalou a cidade.

Um dia, ao jantar, a mãe de minha mãe viu em seu copo, uma água escura. Não era suja. Era simplesmente de cor amarelada. Ela profetizou:

" - Um de nós ficará seriamente doente..." -, e não disse mais nada.
Falou como se não suportasse segurar sua fala ou como se falassem através dela...

Todos em desespero quiseram saber quem seria. E ela só afirmava com impulso rápido e comovente, 'que não sabia'.

Os dias foram passando e ninguém adoecia. Será que pela primeira vez ela havia errado em suas previsões ? Qual sinal teria sido enviado pela água amarelada ?!

Um mês. Dois meses. Três meses e nada. Todos se esqueceram das previsões...
Eis que um certo dia, lavando a roupa no tanque, a mãe de minha mãe gritou:

" - Meu Deus !!!! "




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