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· 4º Capítulo ·

A febre tifóide atacou o filho e tudo mudou naquela casa, naquela cidade, naquele bairro de arcos enormes e felizes.

A febre alta fazia o filho delirar e no êxtase da alteração de sua consciência ele murmurava palavras sobre o pai:

" - ...ele está chegando... não quero encontrá-lo... preciso sair daqui..."

O nível de excitação inexplicável do espírito era tão grande, que as poucas vezes que o pai foi visitar o filho, ele avisava para a enfermeira:

" - Ele está vindo me visitar... não deixe..."

A mãe em desespero tentava de tudo: médicos, padres, pais-de-santo, espíritas... e as explicações eram as mais diversas sobre o desvairamento de ambos. Mas nunca com soluções práticas de vida e conclusões positivas.

Minha mãe, ainda menina, não entendia o motivo de tanto ódio, já que o pai era amoroso e o irmão um grande companheiro de brincadeiras e cantorias.

Porém, um dia, a mãe, já desesperançada de tudo, estava sentada ao lado da cama do filho na enfermaria, quando entrou um médico bonito, alto, forte, todo de branco, visitou todos os pacientes daquela enfermaria e reclinou-se para falar com ela:

" Não fique triste... o seu filho e seu marido não têm culpa, eles não entendem..."

A mãe ficou olhando para aquele médico, que continuou:

" - A esperança é uma virtude. É uma âncora para a vida. Mas eles foram inimigos em outra vida, e nessa vida, eles vieram juntos para tentar encontrar a paz !"

Acabada as palavras, o médico saiu da enfermaria.
A mãe, surpresa com o que acabara de ouvir, saiu correndo atrás do homem que logo desapareceu. A enfermeira veio e perguntou qual era o problema:

" - Aquele médico que veio visitar os doentes... quero conversar com ele..."
" - Qual médico ?! " -, perguntou a enfermeira.
" - Aquele que veio agora aqui: jovem, alto, forte, moreno..."
" - Minha senhora ! Não temos nenhum médico aqui com essa descrição... todos os médicos desse hospital são mais velhos... não temos residentes e novatos."

A mãe, imobilizada, com sentimento profundo e indizível, aparentando angústia e alegria, só conseguiu balbuciar: " - ... mas ele esteve aqui..."

A enfermeira, compreendendo o sentimento da mãe, deixou-a sozinha, ignorando as suas supostas alucinações.

A mãe, ainda tentando encontrar o eixo das palavras que acabara de ouvir, resolveu ir para casa descansar.

Horas depois, o filho grita pela enfermeira:

" - Ele está vindo me visitar... não deixe... não deixe..."

E desmaia.




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