· 12º Capítulo ·
Acordei sobressaltado e fiquei quase cego com o clarão do sol, não parecia ser a terra seca e árida em que eu estava deitado. O vento me trouxe o cheiro do mar, mas ele estava tão longe, pensei.
- O primeiro grande passo do andarilho é saber reconhecer os seus erros e mudar os seus atos sem vergonha. E neste momento, o seu coração está vivendo a dor de se reconhecer.
Continuei a ouvir. Estava claro e forte em meus ouvidos, não era ilusão.
- Não tema, meu andarilho! Eu sou o guardião desta tua caminhada. Não lhe desejo mal. Hoje eu sou a luz que lhe cega, mas amanhã saberá me suportar e me reconhecer de olhos vendados.
- Porquê estou aqui?! Balbuciei ainda com o rosto colado à terra.
- Porque foi assim que você escolheu muito antes até mesmo de você saber.
- Mas não era isso que eu procurava, não desta maneira. Não sei nem em qual parte do mundo estou.
- Foi lhe dado o barco, meu andarilho, mas os remos e as velas só você pode conseguir, e terá que encontrar sozinho. Depois de o haver encontrado, ainda deverá aprender a manejá-lo bem.
- Não estou entendendo, não estou podendo ajudar ninguém por aqui. Não sei nem como ir embora.
- Tudo tem seu tempo, você sabe disso. Os fatos que são apressados não têm tempo para conclusão. Há o tempo para observar, sentir, aprender, para executar e para ensinar. Os canais estão abertos à você neste momento. Os canais só se abrem para cada ser humano de sete em sete anos, e às vezes existem intervalos por causa de faltas graves cometidas onde eles podem nunca mais se abrir. Por um certo tempo, nada poderá lhe atingir, mas depois, lhe será cobrado o seu amor e o seu reconhecimento.
- Para que tudo isso?
- Fortalecimento. Um homem sozinho sem autoconfiança nada pode; já o homem humilde muda a sua afetividade e vence um exército com estratégias certas para cada batalha.
- Não entendo!
- Entende, sim! Você precisa acreditar.
- Tudo isso deve ter um motivo, uma intenção, ou um objetivo.
- A razão de ser de cada coisa só você pode saber, já lhe disse. O meu objetivo pode ser o mesmo que o seu, só que vamos dar nomes diferentes. Não se preocupe com isso agora. Cada coisa a seu tempo.
- Quem é você? Um Mestre ?!
- Não sou Mestre. Não sou seu modelo e guia. Sou aquele que lhe acompanha nesta vida de hoje, neste momento.
- Meu anjo da guarda?
- Os nomes não importam. Sou o que quiser que seja. -, E eu pensei. É verdade! chamo de Zambi a quem nem sei o verdadeiro nome.
- Eu já o senti antes era você? Continuei.
- Desde o seu primeiro dia de vida, existe um guardião. Não necessariamente, eu. Mas um ser que o acompanha. Foi assim que você fez em outra vida com outras pessoas. É um grande círculo, a grande volta, a grande mandala.
- Está falando de minha outra encarnação?
- Estou lhe dizendo que sou alguém que vê o que seus olhos não podem ver enquanto abertos. Por isso, vim lhe trazer à consciência, o que sua alma já conhece.
- Você veio me ajudar a sair daqui?
- Lhe amparar. São seus os remos e velas que o guiarão, e terá de levá-los a maior parte do mundo que lhe for permitido.
- Para isso é necessário muita coisa dinheiro, por exemplo.
- O barco é nosso, meu andarilho. Sua alma já recebeu muito pelas vidas passadas, e durante certo tempo, será testada sua forma de relacionar-se com os outros.
- Testada ?!?